Gustavo Perina

12 de maio de 2021

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Crescimento do e-commerce: lojistas temem o camelô digital

3 min de leitura

A pandemia do Covid-19 ocasionou um crescimento de mais de 73% no setor de e-commerce, no Brasil, em 2020, segundo o índice MCC-ENET (Comitê de Métricas da Câmara Brasileira da Economia Digital em parceria com o Movimento Compre & Confie - Neotrust). Estatísticas sobre consumidores relatam que mais de 46% dos brasileiros compraram com mais frequência online neste período e que 7% fizeram a sua primeira compra em uma plataforma digital.

Com este crescimento repentino e rápido, surgiu um fenômeno denominado como camelô digital: são lojas que, principalmente a partir da sonegação de impostos, baixam os preços dos produtos para vencer a concorrência. O IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) vem estudando uma maneira de combater a informalidade e a sonegação de impostos em tempos de aumento de vendas online.

Como surgiu o camelô digital?

No Brasil, o crescimento das compras em e-commerce no último ano foi grande:

  • Nordeste: 100,34%
  • Sul: 79,22%
  • Norte: 73,24%
  • Centro-Oeste: 72,87%
  • Sudeste: 68,74%

Este crescimento influenciou o surgimento de muitas lojas que não estão formalizadas e nem pagam impostos, estando, assim, irregulares perante o governo. O esquema de camelô digital vem se instalando sobretudo nos marketplaces, porque os lojistas que vendem ali não possuem marcas próprias.

A migração do camelô, que antes ficava em frente a uma loja física, para o ambiente virtual, ainda não se proliferou na mesma proporção. Se antes o consumidor tinha contato com o produto físico, agora, através do e-commerce, não tem nenhuma garantia de recebê-lo, de sua originalidade e autenticidade e da possibilidade de troca ou devolução. Ainda assim, esse novo ambiente de atuação dos camelódromos tem chamado a atenção dos lojistas, que pedem ao governo uma atitude frente ao arcaico sistema tributário brasileiro.

Camelô digital é concorrência desleal

Segundo Flávio Rocha, conselheiro do IDV, a grande maioria das plataformas não emitem nota fiscal e fornecem ao consumidor apenas um documento de entrega. Essa estratégia utilizada para escapar das taxas legais, a fim de baixar os preços, se enquadra como concorrência desleal. Em tempos de crise, busca-se gastar menos, por isso há o temor de que o consumidor comece a comprar nos camelódromos digitais.

Além do mais, o comércio eletrônico possibilitou que, nos últimos anos, as entregas fossem feitas a partir dos correios ou transportadoras. Antigamente, havia um caminhão de entrega para as empresas e o sistema tributário brasileiro foi feito para rastreá-los. Porém, agora, o que importa é o rastreamento do pagamento e é neste ponto que cresce o debate de uma nova abordagem.

No último ano, cerca de uma em cada cinco novas lojas virtuais estavam irregulares e existiam apenas para fins ilícitos, como camelôs digitais ou vendas falsas sem entrega de produtos.

O camelô digital ainda não conseguiu encontrar uma estratégia para conquistar a confiança dos consumidores e seu público-alvo são pessoas com pouco conhecimento sobre compras online e que geralmente caem em golpes, perdem dinheiro, se frustram e, com muito custo, voltam a fazer compras em plataformas digitais.

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